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Cristologia - Parte III
26-Dez-2024
By: Claudio Crispim
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Deus se fez homem
Toda humanidade veio a existência e entrou no mundo por intermédio de Adão, ou seja, antes de nascer nenhum homem existia, e somente quando gerados por um pai e concebidos por uma mãe todos os homens vieram a existência.
Adão não existia antes de Deus formar do pó da terra um boneco de barro e soprar-lhe nas narinas o fôlego de vida, e naquele instante o homem tornou-se alma vivente (Gênesis 2:7). No Éden veio a existência o primeiro homem, e como foi tomado da terra, é terreno (1 Coríntios 15:47).
Mas, o apóstolo Paulo afiança que o primeiro homem era a imagem daquele que estava por vir, o segundo homem, que é do céu, e por isso chamado o último Adão.
“No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir.” (Romanos 5:14);
“Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual. O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o SENHOR, é do céu.” (2 Coríntios 15:45-47).
Enquanto Adão era terreno e figura do segundo homem que estava por vir, o segundo homem era do céu, e foi introduzido no mundo na condição de último Adão. Enquanto Adão foi criado e veio a existência no mundo segundo o modelo do homem que estava por vir, o segundo homem era do céu, ou seja, Ele já existia antes de ser introduzido no mundo.
Isto significa que na eternidade Jesus existia nós céus? Na verdade, não! Nós céus sempre existiu por toda eternidade o Verbo eterno, tanto que e o Verbo estava com Deus no princípio e é o criador dos céus e da terra. Somente quando o Verbo eterno deixou o seu poder e glória, e foi introduzido no mundo em um corpo preparado pelo Pai, é que, na plenitude dos tempos, Jesus passou a viver entre os homens, de modo que o corpo que foi preparado para o Verbo se fazer homem trouxe a mesma imagem que foi dada a Adão no Éden.
Nos céus o Verbo não tinha um corpo, antes se manifestava aos profetas teofanicamente. Corpo somente foi preparado quando o Verbo se despiu da sua glória e poder, e foi introduzido no mundo, assumindo assim a condição de Filho de Deus.
“Por isso, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas corpo me preparaste;” (Hebreus 10:5).
A entrada e saída do Verbo eterno como homem no mundo foi anunciada nos Salmos:
“O Senhor guardará a tua entrada e a tua saída, desde agora e para sempre.” (Salmos 121:8).
A proteção de Deus sobre o Seu Filho ao ser introduzido no mundo foi perene:
“Mas tu és o que me tiraste do ventre; fizeste-me confiar, estando aos seios de minha mãe. Sobre ti fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe.” (Salmos 22:9-10).
Foi Deus que formou o corpo de Cristo de um modo assombroso e maravilhoso, protegeu e sustentou desde o ventre e foi tirado das entranhas de uma mulher, Maria.
“Por ti tenho sido sustentado desde o ventre; tu és aquele que me tiraste das entranhas de minha mãe; o meu louvor será para ti constantemente.” (Salmos 71:6);
“Pois possuíste os meus rins; cobriste-me no ventre de minha mãe. Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem. Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui feito, e entretecido nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia” (Salmos 139:13-15).
Aquele homem que habitou entre os homens e conviveu com seus discípulos, antes de ser introduzido no mundo era pleno de glória e poder.
“E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse.“ (João 17:5).
Com a glória que possuía com Deus antes que o mundo existisse temos o Verbo eterno, e ao ser introduzido no mundo em um corpo preparado pelo Pai, temos o Jesus de Nazaré, um homem.
Ao falar de Cristo na eternidade, o apóstolo João declarou:
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.” (João 1:1-3).
Tudo o que foi dito acerca do Verbo eterno ao ser introduzido no mundo é resumido na seguinte frase: o Verbo eterno se fez carne e habitou entre os homens como o unigênito do Pai:
“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (João 1:14).
O escritor aos Hebreus aponta para Jesus Cristo ao interpretar o Salmo 102, versos 25 à 27, demonstrando que aquele homem que viveu em Nazaré, antes de ser introduzido no mundo como o unigênito de Deus, na eternidade fundou os céus e a terra.
“Desde a antiguidade fundaste a terra, e os céus são obra das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; todos eles se envelhecerão como um vestido; como roupa os mudarás, e ficarão mudados. Porém tu és o mesmo, e os teus anos nunca terão fim.” (Salmos 102:25-27; Hebreus 1:10-12).
O Salmo 45 também é interpretado pelo escritor aos Hebreus como se referindo a Cristo, chamando-O de Deus:
“Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de equidade é o cetro do teu reino. Amaste a justiça e odiaste a iniquidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu Com óleo de alegria mais do que a teus companheiros.” (Hebreus 18-9; Salmo 45:6-7).
Sabendo que o Verbo eterno é Deus, e que estava com Deus por toda a eternidade, mas que abriu mão da sua gloria e poder para se fazer homem, vê-se que o homem que disse ao mar acalma e ao vento aquieta, é Deus.
Como Jesus é Deus que se fez carne, o escritor aos Hebreus aponta nos Salmos o texto que diz acerca do Filho do homem quando é introduzido no mundo, de que Jesus é digo de adoração:
“E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem.” (Hebreus 1:6);
“Confundidos sejam todos os que servem imagens de escultura, que se gloriam de ídolos; prostrai-vos diante dele todos os deuses.” (Salmos 97:7).
“Eu disse: Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altíssimo.” (Salmos 82:6; João 10:34).
Embora Jesus fosse Deus, Ele não lançou mão da sua divindade para se impor ou se apresentar aos homens, antes anunciou o Pai na condição de servo.
“Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus,” (Filipenses 2:6).
Essa análise se fez necessário por causa de algumas heresias acerca de Jesus Cristo homem, isto porque, da mesma forma que alguns negavam que Jesus era o Cristo ou que Ele veio em carne, tem outra vertente que enfatiza que, mesmo na carne Jesus permaneceu de posse do seu poder e glória.
Ora, Jesus em meios aos homens foi 100% homem, e por isso mesmo, da linhagem de Abrão e Davi (Romanos 1:3). Embora sendo Deus, enquanto homem, Jesus era 100% homem, sem qualquer atributo divino, como onisciência, onipotência, onipresença. É um erro dizer que Jesus, enquanto na carne, era 100% Deus e 100% homem, no sentido de que, enquanto homem era pleno dos atributos da divindade.
Considerando que Deus é infinito em gloria e poder, ao dizer que Jesus enquanto na carne detinha 0,00001 do seu poder, ainda assim significaria que Ele era todo-poderoso quando na carne, e nunca esteve sujeito à morte. 1% do que é infinito, continua sendo infinito, de modo que Jesus, mesmo sendo Deus, temporariamente abdicou de sua glória e poder e habitou entre os homens na condição de homem pleno (100%).
Assim como todos os homens, Jesus teve fome, sede, fraquezas, ânimo, indisposição, tristeza, dor, etc. (Mateus 4.2; João 4.7) Por ser homem foi tentando em tudo (Hebreus 2.18 e 4.15), contudo, não pecou. Como todos os homens, Jesus nasceu, cresceu e teve que aprender.
“Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel. Manteiga e mel comerá, quando ele souber rejeitar o mal e escolher o bem. Na verdade, antes que este menino saiba rejeitar o mal e escolher o bem, a terra, de que te enfadas, será desamparada dos seus dois reis.” (Isaías 7:14-16).
Embora sendo Filho, teve que aprender a obediência:
“O qual, nos dias da sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia. Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu. E, sendo ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que lhe obedecem;” (Hebreus 5:7-8).
A paixão de Cristo demonstra que Ele aprendeu a obediência, sujeitando-se a vontade do pai (Mateus 26:39):
“Senhor meu Deus, clamei a ti, e tu me saraste. SENHOR, fizeste subir a minha alma da sepultura; conservaste-me a vida para que não descesse ao abismo.” (Salmo 30:2-3);
“Nas tuas mãos encomendo o meu espírito; tu me redimiste, SENHOR Deus da verdade. Odeio aqueles que se entregam a vaidades enganosas; eu, porém, confio no SENHOR. Eu me alegrarei e regozijarei na tua benignidade, pois consideraste a minha aflição; conheceste a minha alma nas angústias. E não me entregaste nas mãos do inimigo; puseste os meus pés num lugar espaçoso.” (Salmo 31:5-8).
Muitos no afã de enfatizar a divindade de Cristo, acabam por fomentar um equívoco doutrinário, pois enfatizam que Jesus foi, ao mesmo tempo 100% homem e 100% Deus. Outros, neste diapasão, enfatizam que, apesar de Jesus ser 100% homem, por nem um segundo abriu mão da sua onisciência, onipresença e onipotência.
Jesus Cristo homem é Deus por ser o Verbo eterno encarnado, porém, enquanto encarnado, foi 100% homem, sem qualquer um dos atributos da divindade. Cristo era atendido pelo Pai pela sua reverente submissão (ouvido quanto ao que temia), de modo que não era necessário lançar mão do poder que abriu mão ao se fazer carne.
Devemos ter em mente a seguinte instrução paulina:
“Assim que daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne, e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo.” (2 Coríntios 5:16).
Os judeus conheciam uns aos outros por questões como: ele é hebreu de hebreus, da tribo tal, circuncidado, etc., mas, agora em Cristo, nenhum cristão convertido dentre os judeus conhecia o outro segundo os elementos da lei (carne), embora até Jesus Cristo haviam conhecido segundo a carne: hebreu de Hebreus, da casa de Judá, por ter sido concebido por Maria, e circuncidado ao oitavo dia.
Contudo, após a sua morte e ressurreição, tais elementos pertinentes à carne não devem ser considerados, pois o Jesus ressurreto agora é a expressa imagem e semelhança do Deus invisível.
“O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas;” (Hebreus 1:3).
É completamente diferente a condição do Cristo ressurreto assentado à destra da majestade nas alturas, da condição do Cristo quando encarnado, por causa da paixão da morte, e que também é diferente da condição do Verbo eterno antes de se manifestar em carne.
“Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos.” (Hebreus 2:9).
O espírito que dava vida ao corpo de Jesus e que Ele na morte entregou ao Pai (Lucas 23:46), é o mesmo espírito do Verbo eterno pleno de poder e glória quando na eternidade. É esse mesmo espírito que, ao ser glorificado, recebeu um novo corpo glorioso, e agora, herdeiro de todas as coisas, está assentado a destra da Majestade nas alturas, aguardando os seus inimigos serem postos por escabelo dos seus pés (Salmo 110:1).
Na eternidade desde sempre o Verbo esteve com Deus:
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” (João 1:1).
Ao deixar a Sua glória e poder, foi introduzido no mundo na condição de Filho unigênito de Deus, Jesus Cristo homem.
“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (João 1:14).
Quando da paixão e morte, Cristo ressurgiu dentre os mortos na condição de primogênito, tornando-se a expressa imagem do Deus invisível.
“O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;” (Colossenses 1:15).
Ao alcançar a imagem do Deus invisível, na condição de primogênito, Cristo agora tem a preeminência em tudo. Na posição à destra da Majestade nas alturas, muitos filhos semelhantes a Cristo são conduzidos à gloria de Deus, o que dá a Cristo a posição de primogênito, e na condição de primogênito pode reinar sobre todos os reinos da terra.
“E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência.” (Colossenses 1.18);
“Também o farei meu primogênito mais elevado do que os reis da terra.” (Salmos 89:27).
É o primogênito, e não o unigênito que se tornaria o mais elevado dos reis da terra. Antes de ser rei, teria que alcançar a condição de primogênito (Romanos 8:29), por isso o Filho unigênito se deu na morte, para conduzir à gloria muitos filhos a Deus (Hebreus 2:10), e estes semelhantes a Ele (1 João 3:1-2; 1 Coríntios 15.48-49), cumprindo-se assim a promessa a Davi (2 Samuel 7:12-14).
“Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre.” (2 Samuel 7:13).
Ao edificar o templo ao nome de Deus, Cristo edificou a igreja, que é o seu corpo. Como a igreja é o templo edificado por Cristo, agora, na condição de primogênito entre muitos irmãos, Deus confirmará o trono de Jesus para sempre como o mais elevado dos reis da terra.
Erros quanto a natureza de Jesus Cristo enquanto viveu neste mundo são inúmeros:
1. Que Jesus não veio em carne:
2. Que Jesus não é o Filho de Deus, por conseguinte, o Filho de Davi;
3. Que Jesus não é Deus, e argumentam que Jesus era um anjo antes da encarnação;
4. Que Jesus é uma das manifestações de Deus, e vice-versa, os chamados unicistas;
5. Que Jesus, enquanto na terra, apesar de ser 100% homem, e, concomitantemente, 100% Deus, exercia plenamente atributos como: onipotência, onipresença e onisciência;
6. Que Jesus, enquanto na terra, apesar de ser 100% homem, e, concomitantemente, 100% Deus, deixou de exercer voluntariamente alguns dos seus atributos como: onipotência, onipresença e onisciência.
Enquanto a Bíblia assevera que Jesus é Deus pelo fato de o Verbo se fazer carne (João 1:1,14), é um equívoco atrelar a divindade de Jesus aos atributos da divindade. Enquanto a Bíblia afirma que Jesus veio em carne (1 João 1:7), participante de carne e sangue (Hebreus 2:14), e em tudo semelhante aos homens (1 João 1.1-2), porque era necessário passar pela morte, é um equívoco enfatizar que em Cristo homem estava presente os atributos da divindade, o que depõe contra a humanidade de Cristo.
“Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne,” (Romanos 1.3);
“Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,” (Gálatas 4:4).
Se Cristo não foi homem na plenitude da palavra, antes exercia plenamente os atributos da divindade, certo é que Ele nunca esteve fraco, portanto, a cruz era sem efeito n’Ele.
“Porque, ainda que foi crucificado por fraqueza, vive, contudo, pelo poder de Deus. Porque nós também somos fracos nele, mas viveremos com ele pelo poder de Deus em vós.” (2 Coríntios 13:4).
Se Cristo na carne era 100% Deus, equivocou-se o escritor aos Hebreus ao dizer que Jesus era como nós e que foi tentando em tudo, uma vez que Deus não pode ser tentado pelo mal.
“Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta.” (Tiago 1:13).
“Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.” (Hebreus 4:15);
“O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano.” (1 Pedro 2:22).
Fonte:(Estudo Biblico)
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Toni Campos
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