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O pecado e o Pecador - Parte I

23-Dez-2024

By: Claudio Crispim

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O que é estar morto segundo a Bíblia?

A Bíblia deixa claro que o pecador deve morrer para o pecado a fim de ser justificado (liberto). Para isso, é essencial que o pecador ouça a verdade do evangelho, pois a fé vem pelo ouvir a verdade do evangelho, a pregação da fé manifesta (Gálatas 3:23-24). Sem a pregação da fé (Gálatas 3:2,5), é impossível ao homem crer, uma vez que crer depende da revelação do evangelho.

  • O que significa estar morto em delitos e pecados?

  • “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência.” (Efésios 2:1-2).

  • A morte passou a todos os homens

  • Quando Adão transgrediu o mandamento de Deus no Éden, as consequências de sua desobediência foram desastrosas para toda a humanidade (Gênesis 3:6). Deus havia concedido a Adão ampla liberdade, permitindo-lhe comer de todas as árvores do jardim, mas advertiu que, no dia em que comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal, certamente morreria. Essa advertência envolvia tanto o livre-arbítrio quanto as consequências inevitáveis de sua escolha:

    “E ordenou o SENHOR Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” (Gênesis 2:16-17)

    A transgressão de um só homem trouxe implicações profundas: o pecado de Adão alcançou todos os seus descendentes (Romanos 5:16). Por meio dele, o pecado entrou no mundo, trazendo consigo a morte, que passou a toda a humanidade. Por isso, é dito que “todos pecaram” (Romanos 5:12).

    A expressão “certamente morrerás” pode ser transliterada como “morrendo você morrerá”, sugerindo que a desobediência resultaria inicialmente na perda da comunhão com Deus (morte espiritual) e, em última instância, na morte eterna (separação definitiva de Deus).

    Quando Adão passou ao domínio do pecado, ele morreu espiritualmente, ou seja, foi separado de Deus. No entanto, se ele descesse ao pó, ou seja, enfrentasse a morte física sem redenção, essa morte se tornaria irremediável. Ao escrever sobre a redenção em Cristo, o apóstolo Paulo ressalta que Cristo, ao ressurgir dentre os mortos, não morre mais.

    Esse fato evidencia que descer à cova não é mais uma possibilidade para Cristo, pois, ao morrer, Ele morreu definitivamente para o pecado, vencendo-o de uma vez por todas.

    “Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus.” (Romanos 6:10).

    Nesse contexto, torna-se possível compreender as nuances da declaração paulina: “o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23). Aquele que vive no pecado está espiritualmente morto para Deus. Caso desça à sepultura sem Cristo, seu destino final será a morte eterna, caracterizada pela separação definitiva de Deus.

    Por outro lado, aquele que é crucificado com Cristo experimenta uma morte espiritual diferente, pois desce à sepultura simbolicamente por meio do batismo na morte de Cristo. Paulo explica essa realidade ao dizer:

    “Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.” (Romanos 6:4).

    A morte física, embora também uma consequência da maldição que alcançou o homem, só é mencionada quando Deus amaldiçoa a terra, impondo sofrimento ao homem para obter sustento e declarando: “Tu és pó e ao pó tornarás” (Gênesis 3:17-19; Provérbio 26:2).

    No instante em que Adão comeu do fruto da árvore do conhecimento, a separação entre ele e o Criador se concretizou, reflexo de sua incredulidade que resultou em desobediência. Nesse momento, Adão tornou-se “como Deus”, conhecedor do bem e do mal (Gênesis 3:22).

    Embora o maior problema de Adão fosse a ofensa e a separação de Deus, o que imediatamente chamou sua atenção e gerou medo foi a percepção de sua nudez, levando-o a esconder-se (Gênesis 3:10-11).

    Essa perspectiva persiste na humanidade até hoje. Sem a revelação do evangelho, que expõe a verdadeira condição de alienação de Deus, o foco da humanidade tende a se restringir a questões comportamentais e morais, resultado do conhecimento do bem e do mal. Isso, porém, desvia a atenção do problema principal: a separação de Deus.

    É importante ressaltar que o conhecimento do bem e do mal é uma consequência secundária da ofensa de Adão. O pecado e a morte são os elementos centrais dessa tragédia espiritual. A humanidade, ao participar do fruto da árvore do conhecimento, experimentou tanto a rebelião quanto a dualidade entre bem e mal, características inseparáveis como a luz e as trevas.

  • Mortos para Deus segundo a Bíblia

  • “E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas,” (Colossenses 2:13).

    Os estudiosos da Bíblia frequentemente classificam a humanidade em duas categorias: espiritualmente mortos e espiritualmente vivos. Contudo, essa classificação apresenta um problema essencial: se não for especificado para quem a pessoa está morta ou viva, a interpretação das Escrituras pode se tornar imprecisa e, em alguns casos, inviável.

    Após o pecado, Adão tornou-se morto para Deus. Por outro lado, aqueles que estão em Cristo estão vivos para Deus. Ao especificar a quem a pessoa está viva ou morta, a interpretação bíblica se torna mais precisa e fundamentada.

    Outro ponto importante é compreender que estar espiritualmente morto ou vivo implica uma relação simultânea e oposta: uma pessoa morta para Deus está viva para o pecado, enquanto uma pessoa viva para Deus está morta para o pecado. O apóstolo Paulo esclarece isso ao dizer:

    “Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Romanos 6:11)

    Assim, se alguém se considera morto para o pecado, está vivo para Deus em Cristo. Por outro lado, quem se considera vivo para o pecado está morto para Deus, pois não está em Cristo. Quando lemos, por exemplo, “quando vós estáveis mortos nos pecados”, isso significa que a pessoa estava morta para Deus. Já a expressão “vos vivificou juntamente com ele” indica que, em Cristo, os cristãos morreram para o pecado.

    Portanto, como o estado de estar morto ou vivo depende de a quem ele se refere (Deus ou pecado) e essas condições ocorrem simultaneamente, classificar a humanidade de maneira rígida em apenas duas categorias—vivos ou mortos espiritualmente—pode levar a confusões interpretativas.

    Outro ponto crucial a esclarecer é a causa da morte espiritual. Apenas o pecado herdado de Adão é responsável pela morte espiritual diante de Deus, ou, em outras palavras, é a causa de se viver para o pecado. Os delitos e pecados cometidos pelo homem morto para Deus, em razão de sua condição como descendente de Adão, não são a causa de sua morte espiritual.

    Da mesma forma, as virtudes e méritos humanos não têm qualquer contribuição para a salvação. Ambos os casos enfatizam que a condição espiritual do homem—tanto de separação de Deus quanto de reconciliação—é determinada exclusivamente pelo pecado herdado de Adão e pela graça divina manifestada em Cristo.

    Os delitos e pecados pessoais serão julgados no Grande Tribunal do Trono Branco, mas não agravam a condição herdada de Adão. Isso significa que aqueles que comparecerem diante desse tribunal já estarão condenados, pois essa condenação teve origem no Éden, em Adão. A morte espiritual herdada é, portanto, a raiz da separação de Deus.

    Já os atos individuais refletem a responsabilidade humana em viver neste mundo conforme sua própria consciência, revelando sua postura diante do bem e do mal, que são indissociáveis como faces de uma mesma moeda, que passou a conhecer após a queda (Romanos 2:14-16).

    Quando o apóstolo Paulo escreve aos cristãos de Éfeso que “ele vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados” (Efésios 2:1), fica evidente que os termos “vivificação” e “morte” estão relacionados a questões espirituais, e não físicas. Isso porque, tanto aqueles que estão vivos para o pecado quanto os que estão vivos para Deus permanecem fisicamente vivos enquanto habitam este mundo.

    No entanto, mesmo aqueles que descem ao pó, sejam eles vivos para o pecado ou para Deus, continuam existindo diante de Deus. Como Jesus afirmou: “Deus não é Deus de mortos, mas de vivos, porque para ele todos vivem” (Lucas 20:38).

    Assim, no sentido de existência contínua, todos vivem para Deus, pois a ressurreição alcançará a todos que retornam ao pó, seja para a vida eterna com Deus ou para o julgamento eterno.

    Essa compreensão ressalta que a vivificação mencionada por Paulo se refere à transformação espiritual que ocorre naqueles que são tirados da morte espiritual, em ofensas e pecados, transportados para a vida espiritual em Cristo (Colossenses 1:13; 1 Pedro 2:9).

    Essa vida espiritual, porém, não elimina a realidade da existência de todos diante de Deus, tanto dos justos quanto dos injustos, que enfrentarão a ressurreição:

    “Uns para a ressurreição da vida e outros para a ressurreição da condenação” (João 5:29).

    Portanto, a vivificação em Cristo significa ser restaurado à comunhão com Deus, enquanto a morte espiritual indica separação d’Ele. Ambos os estados coexistem com a existência física e não impedem que todos, justos e ímpios, vivam diante de Deus no sentido de existirem e enfrentarem as implicações eternas de sua condição espiritual.

    “Ora, Deus não é Deus de mortos, mas de vivos; porque para ele vivem todos.” (Lucas 20:38):

    “E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno.” (Daniel 12:2; João 5:29).

    A vida eterna que Jesus concede não está limitada apenas à dimensão celestial; ela é dada àqueles que creem ainda neste mundo. Aqui e agora, os salvos em Cristo morrem para o pecado e passam a viver para Deus. Essa nova condição espiritual em Cristo é o que os torna aptos aqui neste mundo a participar do propósito eterno que Deus estabeleceu em Seu Filho (1 João 4:17).

    No meio evangélico, é comum ouvir uma afirmação superficial de que o cristão, ao alcançar a vida eterna por meio de Cristo, se torna capacitado a viver “o propósito para o qual Deus o criou”. No entanto, essa ideia está aquém da verdade bíblica.

    As Escrituras ensinam que aqueles que possuem a nova vida em Cristo são a geração eleita, portanto, santificados e irrepreensíveis e predestinados a serem conformes a expressa imagem do Cristo ressurreto.

    Esse propósito eterno, revelado em Cristo (Efésios 3:10-11), é descrito em termos claros: “para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Romanos 8:29).

    Assim, o propósito não se limita a um chamado individual ou temporal, mas cumpre o desígnio eterno de Deus em exaltar Cristo como o primogênito entre muitos irmãos em tudo semelhantes a Ele (1 João 3:1-3; 1 Coríntios 15:47-49).

    A concepção de que a nova vida capacita o homem a viver o propósito de Deus muitas vezes deriva da doutrina que considera estar morto para Deus como ser um “espírito morto“, comparando essa condição a um balão vazio dentro da alma ou até mesmo a de um cadáver. Segundo essa visão, quem está morto para Deus seria completamente inerte, incapaz de responder à Palavra ou confiar em Deus.

    Com base nessa ideia, argumenta-se que o Espírito Santo desperta o pecador com uma graça irresistível, permitindo-lhe arrepender-se e crer em Cristo. Após esse despertar, Deus perdoaria o pecador, creditando-lhe justiça, e o Espírito Santo passaria a habitar nele. No entanto, essa abordagem não reflete o ensino bíblico.

    A Escritura deixa claro que o pecador deve morrer para o pecado a fim de ser justificado (liberto). Para isso, é essencial que o pecador ouça a verdade do evangelho, pois a fé vem pelo ouvir a verdade do evangelho, a pregação da fé manifesta (Gálatas 3:23-24). Sem a pregação da fé (Gálatas 3:2, 3:5), é impossível ao homem crer, uma vez que crer depende da revelação do evangelho.

    O apóstolo Paulo, ao tratar da condição atual dos cristãos em Cristo, enfatiza que eles foram “circuncidados com a circuncisão de Cristo” (Colossenses 2:11), explicando que essa circuncisão espiritual significa ter sido sepultado com Cristo no batismo em Sua morte. Esse ato não apenas simboliza a morte do velho homem, mas também resulta na ressurreição para uma nova vida.

    Paulo relembra o passado desses cristãos, destacando que, enquanto gentios, eles estavam mortos para Deus, vivendo segundo o curso deste mundo e sob o domínio do pecado e das paixões carnais (Efésios 2:1-3). Eles andavam conforme a mentalidade do mundo e estavam alienados da vida de Deus. No entanto, Deus, em Sua misericórdia, operou a vivificação deles ao realizá-la por meio de Cristo.

    Essa “circuncisão não feita por mãos” é a remoção do domínio do pecado, uma transformação espiritual que ocorre ao serem unidos à morte e ressurreição de Cristo. Por meio desse processo, eles foram libertos do pecado e vivificados para Deus, deixando para trás sua antiga condição de morte espiritual e alienação. A vivificação ocorre quando o pecador, antes morto para Deus, é incluído no corpo de Cristo por meio de Sua morte, e, por crer no poder de Deus, é ressuscitado com Ele para uma vida em comunhão com Deus.

    Por exemplo, como Abraão creu em Deus? Ele foi convencido pelo Espírito Santo sem que lhe fosse anunciada a promessa? Não. Abraão creu após Deus lhe anunciar que sua descendência seria tão numerosa quanto as estrelas do céu. Sem essa palavra fiel e digna de aceitação, não haveria motivo para Abraão crer.

    Crer em Deus é, fundamentalmente, crer em Sua Palavra. Isso vai além de simplesmente acreditar na existência de Deus, pois envolve confiança, submissão e aceitação daquilo que Ele revelou. Atualmente, crer em Deus significa crer em Cristo, pois as Escrituras são o testemunho que Deus deu acerca de Seu Filho:

    “E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.” (1 João 5:11-12).

    Essa fé em Cristo é inseparável da fé em Deus, pois Jesus é a expressão plena da vontade divina e o mediador entre Deus e os homens. Como o próprio Senhor Jesus afirmou: “Quem me vê a mim, vê o Pai” (João 14:9). Crer em Deus sem crer em Cristo é rejeitar o testemunho de Deus, uma vez que toda a revelação das Escrituras aponta para Jesus como o Filho de Deus:

    “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam.” (João 5:39).

    Portanto, o ato de crer (fé) que salva não é apenas uma crença abstrata em Deus ou em Sua existência, mas uma confiança ativa e obediente em Cristo como o Filho de Deus e cumprimento das promessas divinas. Sem essa fé em Cristo, não é possível experimentar a vida eterna que Deus oferece em Seu Filho.

    O que concede vida ao pecador não é o Espírito Santo habitando nele, mas o fato de o servo do pecado morrer com Cristo e ser sepultado com Ele pelo batismo em Sua morte. Somente quando o corpo do pecado é desfeito, o pecado deixa de exercer domínio sobre o homem. Ao morrer com Cristo, aquele que estava morto em delitos e pecados é ressuscitado pelo poder de Deus, tornando-se vivo para Deus e morto para o pecado.

    Fonte:(Estudo Biblico)

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    Toni Campos

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