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O pecado e o Pecador - Parte II

23-Dez-2024

By: Claudio Crispim

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  • O Processo de Vivificação

  • Após afirmar que “ele vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados” (Efésios 2:1), o apóstolo Paulo explica o processo de vivificação:

    “Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo" (pela graça sois salvos) (Efésios 2:4-5).

    Deus, em Sua misericórdia, entregou Seu Filho por todos, como prova de Seu amor (Romanos 8:32; 11:21). Vivificar juntamente com Cristo significa ser unido a Ele em Sua morte e ressurreição. Não se trata de Deus conceder uma “centelha de vida” ao pecador para capacitá-lo a crer, mas de Deus ressuscitá-lo juntamente com Cristo. Para isso, o pecador primeiro precisa morrer para o pecado, e assim passa a viver para Deus, o que ocorre somente após ser crucificado com Cristo.

    Paulo explica que Deus, por meio de Sua graça, ressuscita espiritualmente aqueles que estavam mortos em delitos e pecados, juntamente com Cristo, e os faz assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus (Efésios 2:5-6). Esse ato de vivificação implica que, antes de serem ressuscitados, essas pessoas primeiro precisaram morrer.

    O raciocínio é claro: se alguém é vivificado, significa que já estava morto em algum sentido. No contexto bíblico, estar morto em delitos e pecados significa estar morto para Deus, ou seja, alienado de Sua presença, mas ao mesmo tempo, vivo para o pecado, escravizado sob seu domínio (Romanos 6:16). Essa é a condição do homem natural: uma existência em sujeição ao pecado caracterizada como separação de Deus.

    A transformação ocorre quando o homem, pela fé, é unido a Cristo em Sua morte. Ao crer no evangelho, ele morre para o pecado, e essa morte desliga o vínculo com seu antigo senhor, o pecado. Como Paulo declara: “Porque quem morreu, está justificado do pecado.” (Romanos 6:7). Somente após essa morte espiritual o homem pode ser ressuscitado por Deus e feito participante da nova vida em Cristo.

    Esse processo é inteiramente operado por Deus, mas ocorre no momento em que o pecador responde em fé ao evangelho, que é poder de Deus para salvação. É por crer em Cristo que o homem participa da morte e ressurreição de Cristo, sendo regenerado e recebendo uma nova posição em Cristo – assentado nos lugares celestiais. Assim, o homem, antes vivo para o pecado e morto para Deus, agora vive para Deus e está livre do domínio do pecado, capacitado a andar em novidade de vida (Romanos 6:4).

    Estar morto para Deus ou morto para o pecado não significa estar inerte ou insensível. Pelo contrário, o apóstolo Paulo ensina que os cristãos, que antes eram servos do pecado, passaram a obedecer de coração à doutrina que lhes foi entregue.

    “Mas graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues. E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça.” (Romanos 6:17-18).

    Essa transformação ocorre pela obediência à doutrina do evangelho, que liberta o pecador do domínio do pecado ao levá-lo a morrer para o pecado. Como? Ao apresentar-se a Deus em obediência:

    “Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?” (Romanos 6:16).

    O apóstolo Paulo deixa claro que, no passado, os cristãos eram servos do pecado, mas, ao obedecerem à doutrina do evangelho, por morrerem com Cristo, foram libertos desse domínio (Romanos 6:17-18). Essa libertação ocorreu porque, ao obedecerem à justiça, morreram para o pecado e passaram a viver para Deus. A transformação espiritual que os tornou servos da justiça se deu porque se apresentaram voluntariamente à justiça para obedecer.

    Essa dinâmica espiritual está fundamentada na obra redentora de Cristo. Obedecer ao evangelho significa crer em Cristo confiando na Sua obra salvadora, resultado na morte e ressurreição com Cristo. Como Paulo explica, “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Portanto, fomos sepultados com Ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida.” (Romanos 6:3-4).

    Essa obediência ao evangelho envolve aprendizado e compreensão que resulta em mudança de concepção (metanoia). Ao se apresentarem à justiça para obedecer, os cristãos efetivamente morreram para o pecado, o que difere da ideia de renunciar o domínio do pecado. Ao se submeteram à autoridade de Deus, tomando o jugo e o fado de Cristo, se tornaram servos da justiça.

    “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.” (Mateus 11:29; João 8:31).

    Portanto, a libertação do pecado e a transformação em servos da justiça ocorrem quando o pecador responde ao chamado do evangelho em obediência, entregando sua vida no pecado à justiça de Deus (Mateus 16:25). Essa obediência é tanto o meio pelo qual se morre para o pecado quanto o caminho para alcançar uma nova vida.

  • Dom, Doutrina e Crença

  • A interpretação de que “crer” é um dom concedido pelo Espírito Santo por meio de uma graça irresistível, que capacita o homem a se achegar a Cristo, é frequentemente fundamentada em uma leitura equivocada de Efésios 2:8, onde Paulo diz: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.” Nesse contexto, a “fé” que opera a salvação é a forma de doutrina entregue aos cristãos, descrita por Judas como “a fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 1:3) e por Paulo como “a fé do evangelho” (Filipenses 1:27).

    Quando o apóstolo enfatiza que “pela graça sois salvos”, ele se referia a Cristo, a graça de Deus que se manifestou trazendo salvação a todos os homens (Tito 2:11). Essa salvação, proporcionada pela graça de Deus, é concedida por meio do evangelho, a fé manifesta e dada aos santos (Judas 1:3; Filipenses 1:27; Gálatas 3:23; Tito 1:3; Efésios 1:13).

    O erro dessa interpretação reside na compreensão de que Paulo trata o ato de “crer” como sendo o dom de Deus, quando, na verdade, o dom de Deus antecede a confiança do homem. No texto original, “isto” (em grego, touto) refere-se ao poder de Deus contido no evangelho, concedido gratuitamente aos homens conforme a promessa feita a Abraão. No versículo, o apóstolo não faz referência ao ato de crer, que é obediência ao mandamento de Deus, dado gratuitamente àqueles que desejam se submeter ao Seu senhorio.

    A pregação da doutrina é essencial à salvação, como ensina Tito: “Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes.” (Tito 1:9). Paulo reforça essa ideia ao escrever a Timóteo: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem.” (1 Timóteo 4:16).

    Apresentar a fé como um dom irresistível contradiz o ensino bíblico de que o homem é chamado a obedecer ao evangelho de forma voluntária. Se a fé fosse irresistivelmente infundida, o chamado do evangelho, que exorta à obediência, perderia seu propósito e sentido.

  • Conclusão

  • A vivificação espiritual não ocorre por meio de uma “graça irresistível” que confere ao pecador a capacidade de crer. Antes, é a exposição à verdade do evangelho, apresentado como mandamento, que resulta em obediência, conduzindo o pecador a morrer com Cristo e a ser ressuscitado para uma nova vida em Deus.

    Essa nova criação é operada pela obediência à pregação da Palavra da fé, que vence o pecado, liberta o homem de sua escravidão e o torna servo da justiça em Cristo Jesus.

    Fonte:(Estudo Biblico)

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    Toni Campos

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