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A Samaritana
27-Jan-2026
By: Toni Campos
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A Água que Transforma
O sol do meio-dia ardia como uma lâmina incandescente sobre a terra.
O poço de Jacó repousava em silêncio, guardando segredos antigos, como se fosse um coração de pedra que pulsava sob o calor.
A mulher caminhava até ali com passos furtivos, como quem carrega não apenas um cântaro, mas também o peso invisível de olhares e murmúrios.
Ela vinha sempre nesse horário, fugindo dos olhares e das línguas afiadas da cidade.
Ao se aproximar, encontrou um homem sentado à beira do poço.
Seus olhos, cansados da estrada, tinham a profundidade de quem vê além da poeira e do tempo.
Ele não era dali; suas vestes denunciavam que era judeu.
A mulher hesitou, surpresa por encontrar alguém naquele lugar e naquele momento.
Ele pediu água, e o pedido soou como um trovão suave, rompendo séculos de silêncio entre judeus e samaritanos.
Ela recuou, quase rindo de incredulidade. O riso era defesa, mas também curiosidade.
— Como tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, mulher samaritana? — perguntou, com ironia misturada ao espanto.
Ele respondeu com palavras que pareciam nascer da própria fonte:
— Se conhecesses o dom de Deus e quem é o que te pede, tu mesma lhe pedirias, e ele te daria água viva.
A mulher olhou para o poço, profundo como sua própria história.
— “Senhor, não tens balde, e o poço é fundo. De onde tens essa água viva?”
Sua pergunta era mais que dúvida: era sede disfarçada.
— És maior do que Jacó, nosso pai, que nos deu este poço?
Ele a fitou com olhar penetrante.
— Quem beber desta água tornará a ter sede. Mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte a jorrar para a vida eterna.
O coração da mulher vacilou. Havia algo naquela voz que não era comum. As palavras caíram sobre ela como chuva inesperada em terra seca.
— “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede, nem precise vir aqui buscá-la.”
Então, como quem abre um livro secreto, o homem revelou conhecer sua vida.
— Vai, chama teu marido e volta aqui.
Ela baixou os olhos, envergonhada.
— Não tenho marido.
— Disseste bem. Tiveste cinco, e o que agora tens não é teu marido.
O choque percorreu sua alma. Como poderia ele saber?
A mulher sentiu-se desnudada, mas não humilhada. Não havia condenação em sua voz, apenas verdade que cura.
— Vejo que és profeta — murmurou, tentando compreender.
— Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que em Jerusalém está o lugar onde se deve adorar.
Ele respondeu com firmeza e ternura:
— Vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade.
A mulher, ainda confusa, disse:
— Sei que há de vir o Messias. Quando ele vier, nos anunciará todas as coisas.
O homem inclinou-se levemente, como quem acende uma chama, e declarou:
— Eu o sou, eu que falo contigo.
O mundo da mulher desmoronou e, ao mesmo tempo, se reconstruiu.
O cântaro escorregou de suas mãos, esquecido. A água que buscava já não estava no poço, mas dentro dela.
O cântaro já não tinha importância. Ela o deixou junto ao poço e correu à cidade, com o coração ardendo.
Sua voz, antes silenciada, tornou-se rio impetuoso:
— Vinde ver um homem que me disse tudo quanto tenho feito! — clamava pelas ruas.
— Não seria este o Cristo?
E muitos vieram, atraídos pela corrente que brotava dela.
A mulher que evitava os olhares agora era fonte de esperança.
O poço de Jacó, testemunha antiga, viu naquele dia a sede do mundo ser tocada por águas eternas.
Fonte: (Bíblia; IA Copilot)
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Toni Campos
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