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Apagando o E.S.
27-Mai-2025
By: Toni Campos
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Gostaria de compreender melhor o sentido da frase que Paulo disse em Tessalonicenses quando menciona “não apagueis o Espírito”? Nós temos esse poder de apagar o Espírito Santo da nossa vida? Podemos perdê-lo? Ele pode sair da nossa vida?
Essa orientação dada pelo Apóstolo Paulo aos tessalonicenses (Não apagueis o Espírito – 1 Tessalonicenses 5:19) deve ser estudada com cuidado e considerando o contexto para que consigamos captar o ponto central que o apóstolo queria ensinar ali. Vamos fazer isso juntos:
Jesus está voltando! E dentre diversas admoestações da Palavra sobre os cuidados que temos que ter para mantermos a fé, um dos que mais me tem chamado a atenção nesses dias é o de não apagarmos o Espíritio.
A ilustração que fica clara para mim da importância desse alerta é a de Pedro, discípulo de Jesus, antes e depois da ressurreição de Cristo. Pois quando Jesus estava prestes a ser entregue às autoridades da época para ser morto, Ele anunciou aos seus discípulos que eles o abandonariam, mas que os encontraria novamente após ressuscitar (Mateus 26:31-32). O diálogo entre eles segue:
“Disse-lhe Pedro: Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim. Replicou-lhe Jesus: Em verdade te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, tu me negarás três vezes. Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo.” (Mateus 26:33-35)
Pedro não estava mentindo, mas também não conhecia seu próprio coração. Assim que viu Jesus ser preso, Pedro negou Jesus todas as vezes que foi arguído, o galo cantou e ele se lembrou das palavras de Jesus e chorou amargamente (Mateus 26:75).
Esse mesmo Pedro, poucas semanas depois, pregava com ousadia e, ao ser preso pelas autoridades e proibido de pregar o evangelho, afirmou “julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós outros do que a Deus.” (Atos 4:19). Em seguida, ao ser preso novamente com os demais apóstolos, foram açoitados e ameaçados e “se retiraram do Sinédrio regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por esse Nome.” (Atos 5:41).
Como um homem teve uma mudança tão radical em tão pouco tempo? Aconteceram três situações, que foram essenciais para essa transformação:
Tudo estava pronto para Pedro viver uma vida santa como Jesus, seu mestre, bastava ele não apagar o Espírito, pelo contrário, viver a cada dia de forma digna de quem foi salvo pelo Senhor e ele assim o fez.
Eu tenho sondado meu coração e pensado qual Pedro eu sou. Assim como eu, muitos cristãos hoje podem dizer como Pedro antes de Jesus morrer que estão prontos para serem presos ou morrerem por Jesus.
Mas será que estamos mesmo? Será que esse é realmente o nosso coração? Por mais sincero que sejamos, é difícil saber como nos comportamos numa situação de crise, afinal, Pedro também foi sincero, mas negou.
(1) A primeira coisa que é mais fácil de interpretar à primeira vista é a figura que Paulo usa para falar do Espírito Santo, uma figura muito conhecida na igreja primitiva, que é a figura do fogo.
Certamente era corrente entre os cristãos da época essa comparação do Espírito Santo com o fogo devido o ocorrido em Atos 2:3-4:
“E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem”.
Sendo assim, podemos entender inicialmente que a ideia do Espírito Santo atuante era a ideia de um fogo aceso, vigoroso, queimando fortemente. E a ideia de uma ação pouco atuante era de um fogo fraco, apagado.
(2) Mas, então, surge a pergunta: o que poderia apagar esse fogo atuante do Espírito? A que tipo de atuação do Espírito Paulo estaria se referindo?
Dessa questão surgem pelo menos dois pontos de vista para explicar como um crente (que tem o Espírito Santo em sua vida), portanto, sem qualquer dúvida, um crente convertido, poderia apagar a ação desse Espírito em sua vida. Vejamos as duas possibilidades.
a) Alguns argumentam que Paulo estaria falando sobre minimizar a ação dos dons espirituais, ser descrente deles, ou seja, não crer nos dons espirituais que Deus distribui aos Seus servos, fazendo assim que esses dons não fossem utilizados, apagando, dessa forma, a ação do Espírito. Para basear esse pensamento usam o verso seguinte:
“Não desprezeis as profecias” (1 Tessalonicenses 5:20).
Para os que pensam assim, Paulo estava advertindo que as profecias legítimas deveriam ser cridas, claro, com critério, como ele ensina em 1 Coríntios 14:29; 2 Tessalonicenses 2:2.
Desprezar os dons e as coisas relacionadas a eles era como querer apagar a atuação do Espírito Santo no meio do povo de Deus.
b) Outro grupo, porém, não enxerga relação entre apagueis o Espírito e desprezo à profecias e dons (v.20), já que Paulo, nesse contexto, está trazendo diversos preceitos soltos.
Sendo assim, apagar aqui teria um sentido mais geral, ou seja, apagueis o Espírito seriam comportamentos que entristecem o Espírito Santo, que rejeitem a Sua atuação não seguindo Sua vontade para as nossas vidas.
Paulo falou sobre entristecer o Espírito Santo aos Efésios, dentro de um contexto de comportamentos pecaminosos que não deveriam ocorrer na vida deles:
“E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção” (Efésios 4:30).
Alguém que continuamente permite que o pecado comece a dominar sua vida certamente está apagando a chama do Espírito em sua vida.
(3) Considerando a interpretação “a” ou a “b”, o sentido principal da fala de Paulo certamente é ensinar que os verdadeiros crentes devem considerar que têm em suas vidas o Espírito Santo, por isso, devem cuidar para se manter em santidade, com sensibilidade à ação de Deus, no exercício de seus dons e na construção de uma vida de santidade, agora possível para nós através da obra realizada por Cristo e pela ação do Espírito Santo em nós. Sermos cooperadores com Deus mantém essa chama sempre acesa!
Se nós acendemos o Espírito Santo de Deus quando fomos batizados em Cristo, se nós fomos batizados com o Espírito Santo, se nós permanecemos cheios do Espírito, mesmo que o mundo hoje queira nos encher de tanta promiscuidade, entretenimento e distrações, se nós ainda permanecemos em comunhão com Deus, através de Cristo, e em comunhão com a igreja deixando que Ele nos sonde o coração e nos livre do mal, dos nossos próprios enganos, penso que estamos mais próximos do Pedro depois da ressurreição de Cristo, desejando e amando a vinda do nosso Senhor Jesus Cristo.
Fontes: (Santificando; Esboçando Idéias)
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"Graça e Paz!"
Toni Campos
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