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O Adorador
21-Dez-2023
By: Pr Ricardo Barbosa
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O Adorador
Separação e Contraste
Sou de uma geração que ouviu falar muito sobre santidade. Na minha juventude havia uma preocupação sincera com a necessidade de se viver uma vida santa.
Livros como "Em Seus Passos o Que Faria Jesus?" e a constante pergunta se Jesus faria o mesmo no meu lugar funcionavam como uma forma de freio moral.
A luta contra os três grandes inimigos da santidade – o diabo, o mundo e a carne – era levada a sério. A vontade de resistir-lhes era grande. A luta era incansável.
A busca pela santidade trouxe, para muitos, um tipo de paranoia, uma preocupação com a “perfeição” moral que negava o prazer. Isto levou alguns a abandonarem a fé, a fim de preservar a sanidade. Outros, sem abandoná-la, tornaram-se cínicos em relação ao discurso moralista cristão.
As mudanças sociais dos anos 60 e 70 questionaram a herança cristã vitoriana, promovendo uma mudança de paradigmas.A partir dos anos 80, o tema da santidade perdeu força e interesse. Em seu lugar, entrou a preocupação com a “saúde espiritual”.
Cresceu a busca por uma espiritualidade mais humana, centrada no bem-estar pessoal e no reconhecimento do prazer como expressão saudável da fé.
Se o velho modelo era fundamentado na renúncia e no sacrifício, o novo foi construído sob o alicerce do prazer e da aceitação.
Entramos no século 21 e percebemos que “saúde espiritual” tornou-se sinônimo de “saúde emocional” e substituto para a salvação por meio do arrependimento e da fé. Sentir-se bem e ter saúde emocional e espiritual é o que importa.
O discurso cristão não é mais contracultural. O mundo e a carne deixam de ser inimigos. Ser cristão significa sentir-se bem e ajustado com a cultura secularizada.
Contudo, o chamado para sermos santos permanece central para a vida cristã.
Mesmo que nossa compreensão seja limitada ou condicionada por modelos culturais, a identidade cristã repousa sobre o fato de que Deus é santo e, porque Ele é santo, somos chamados a ser santos como Ele. E o que isso quer dizer?
O Reverendo J.I.Packer afirma que a santidade envolve separação e contraste. A vida de Jesus ilustra bem isto. Por um lado, Ele afirma que seu reino não é deste mundo (separação). Por outro, a forma como vive representa um enorme contraste com a cultura da época.
"Ser santo é ser separado do mundo. Não uma separação alienada ou esquizofrênica, mas sim uma separação que intensifica o contraste entre o mundo e o reino de Deus."
Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, Deus chama e separa um povo para ser seu, um povo sobre o qual Ele reina e governa.
O profeta Jeremias reafirma o significado da aliança, dizendo:
“Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; Eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (Jeremias 31:33).
O apóstolo Pedro faz coro, dizendo:
“Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para sua maravilhosa luz; vós, sim, que antes não éreis povo, mas agora sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia” (1 Pedro 2:9,10).
Conversão significa responder ao chamado de Cristo em obediência e fé, renunciar o mundo e viver como povo santo de Deus. Isto requer separação e contraste.
É por esta razão que Jesus disse aos discípulos que, "se eles fossem do mundo, o mundo os amaria; porém, como eles foram chamados do mundo para Cristo, o mundo os odeia como também O odiou". (João 15:18,19).
Viver como Cristo viveu implica participar do mesmo sofrimento e das mesmas alegrias. Jesus afirmou: “O servo não é maior que o seu Senhor”. (João 15:20)
"A esperança para o mundo repousa neste povo separado por Deus."
Um povo cuja vida, relacionamentos, conduta, ética, moral, expõem o contraste entre a humanidade pretendida por Deus e revelada em Jesus Cristo e a forma como o mundo e a cultura se estruturam sem Deus.
Este contraste traz esperança para alguns, tensões para outros e, inclusive, incompreensão e perseguição.
(Fonte: Musica Sacra e Adoração)
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Toni Campos
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