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Aborto
08-Jul-2025
By: Toni Campos
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Muitos cristãos possuem dúvida acerca do que a Bíblia diz sobre o aborto. Alguns nem mesmo sabem se o aborto é pecado diante de Deus. Outros infelizmente buscam formas de justificá-lo a todo custo.
Isto ocorre principalmente em conexão a casos de estupro, risco à vida da mãe ou deficiência comprovada do embrião ou feto.
Desde os primeiros anos da Igreja Cristã a questão do aborto tem sido discutida. Obras que datam dos primeiros séculos do Cristianismo já refletem a perspectiva da ética cristã sobre o assunto e registram a posição terminantemente contrária ao aborto de teólogos e apologistas da época.
O que é o aborto?
O aborto é a descontinuação da gravidez que resulta na morte do nascituro. Na maioria das vezes ocorre a expulsão do embrião ou feto do ventre materno, interrompendo a gestação. O aborto pode ocorrer de forma espontânea ou induzida.
De forma espontânea, o aborto acontece em decorrência de diferentes fatores que fazem com o que o organismo da gestante, espontaneamente, não seja capaz de manter a gestação. Sem ser sua intenção, a mãe fatalmente perde o nascituro.
Já o aborto induzido, como o próprio nome diz, é a interrupção deliberada da gravidez. Nele existe uma indução à morte do embrião ou feto. Obviamente é a este tipo de aborto que concentram todas as polêmicas e discussões sobre o tema.
Para algumas pessoas o aborto é uma garantia dos direitos das mulheres. Para outras, o aborto é um crime grave contra a vida, isto é, um assassinato.
A legislação sobre o aborto
A legislação sobre o aborto pode diferir bastante de um país para outro. Há países em que o aborto é completamente legalizado, independentemente de qualquer motivo ou intenção.
Ocorre que a mulher simplesmente resolve interromper uma gravidez indesejada para o momento. Como já foi dito, nesses casos o aborto é visto como um direito da mulher que deve decidir sobre seu corpo e os rumos de sua vida.
Em outros países, suas respectivas legislações permitem o aborto em situações específicas. No Brasil, por exemplo, o aborto é legalmente permitido quando há risco à vida da mãe, quando a gravidez é resultado de um estupro ou quando o nascituro for comprovadamente anencéfalo.
Há ainda alguns poucos lugares no mundo em que o aborto não é permitido em hipótese alguma. Mas o que se nota, é que aos poucos todas as nações caminham para uma futura legalização do aborto.
O que tem se tornado cada vez mais frequente, é a fixação de uma data para que o aborto seja permitido. Por exemplo: o aborto seria legal desde que fosse feito em até X semanas.
Esse tipo de autorização geralmente é fruto do entendimento de que antes desse prazo vencer, o embrião ou feto supostamente ainda não seria um ser humano. Então nesses casos não haveria qualquer implicação ética e moral, pois não implicaria num crime de assassinato ou privação do direito à vida.
O que a Bíblia fala sobre aborto?
Poucos temas suscitam tanto os ânimos da sociedade quanto o direito ao aborto. Trata-se de uma discussão que perpassa diferentes áreas: pode ser observado pela ótica da saúde, da sociologia, da política e, claro, das religiões.
Em 2020, um pastor metodista do estado do Alabama, nos Estados Unidos, colocou lenha na fogueira com sua colocação. Ele afirmou que os nascituros (as crianças que foram concebidas, mas ainda não nasceram) são muito fáceis de ser amados, já que não exigem nada, nem envolvem qualquer complicação moral - diferente dos presos, dos viciados e dos pobres.
"Você pode amar os nascituros e defendê-los sem desafiar substancialmente sua própria riqueza, poder ou privilégio, sem reimaginar as estruturas sociais, pedir desculpas ou fazer reparações a ninguém. Eles são, em suma, as pessoas perfeitas para amar se você quiser afirmar que ama Jesus, mas na verdade não gosta de pessoas que respiram", escreveu o pastor Dave Barnhart em suas redes sociais.
É uma declaração forte, pois sugere que a crítica religiosa ao aborto não se sustenta necessariamente pelas escrituras sagradas, mas a uma certa "seletividade" sobre qual tipo de pessoa os cristãos irão defender. Mas será que a Bíblia fala alguma coisa sobre aborto?
Não há menção direta a aborto nas páginas na Bíblia, mas os estudiosos apontam algumas passagens que costumam ser relacionadas com o tema.
Uma delas está no livro do Êxodo, em uma cena em que uma mulher grávida se envolve em uma briga entre dois homens e sofre um aborto espontâneo. Os homens sofrem duas penas: pela perda do feto, que é uma multa estabelecida pelo marido e pelos juízes; e pelo dano à mulher. Caso ela fique ferida ou venha a falecer, entra a lex talionis (aquela que estipula do "vida por vida, olho por olho, dente por dente" (Ex 21:23-24), sobre pagar na mesma moeda).
Os estudiosos da Bíblia ressaltam que um ponto importante aqui é notar que, nesse trecho, a mulher é valorizada como uma pessoa, enquanto o feto é abordado como uma espécie de propriedade - cujo status, portanto, é mais baixo que o da mulher.
Outro excerto está no livro do profeta Jeremias, onde se lê as seguintes palavras, que teriam sido ditas por Deus: "antes que te formasse no ventre, te conheci; e antes que saísses da mãe, te santifiquei" (Jr 1:5).
Por fim, no livro dos Salmos, há um cântico, no capítulo 139, que também costuma ser interpretado como referência à vida antes do nascimento. Ele diz: "os teus olhos viram o meu corpo ainda informe", e "no teu livro todas estas coisas foram escritas, as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia" (Salmos 139:16).
A questão da interpretação
Há muita divergência sobre o que a Bíblia postularia sobre a vida antes do nascimento, pois isto envolve muitas visões diferentes - como, por exemplo, onde começaria de fato a vida de um ser humano.
Segundo o historiador e teólogo Gerson Leite de Moraes, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie, as interpretações se darão a partir do que se considere o início da vida.
"Os contrários ao aborto trabalham com a ideia de que desde o momento da fecundação você tem ali uma pessoa, criada por Deus, mesmo que o processo todo seja orgânico. A alma seria dada por Deus, portanto Deus é o dono da vida, o criador".
Se Deus "conhece passado, presente e futuro e, portanto, atentar contra aquela substância informe que já seria uma pessoa configuraria crime", afirmou à BBC.
Mas há também os estudiosos que falam que essa visão punitiva seria contrária a certos princípios cristãos: se Deus sabe tudo sobre os seus filhos, ele também reconhece o sofrimento de uma mulher que é pobre, ou foi estuprada, ou que não tem assistência médica ou que foi abandonada e que decide por interromper uma gravidez.
O aborto e a humanidade do feto
Muitos ativistas pró-aborto argumentam que o embrião só se torna um ser humano depois de certo período de gestação. O problema é que essa teoria não encontra fundamento sólido, nem na ciência e muito menos na Bíblia Sagrada.
Não há qualquer dúvida de que a vida começa na concepção. Dizer que essa vida só se torna humana num determinado estágio de desenvolvimento, não faz qualquer sentido. Se fosse assim, seria correto dizer que uma pessoa mais velha é mais humana que uma mais nova. Então um adolescente seria mais humano que uma criança, e menos humano que um adulto.
A Bíblia Sagrada afirma claramente a dignidade humana de embrião e feto. Uma das passagens mais claras nesse sentido foi escrita pelo salmista Davi. Ele descreveu em profundidade a forma com que Deus se relaciona com o nascituro. Ele diz: “[…] cobriste-me no ventre de minha mãe. Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem. Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui feito, e entretecido nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia” (Salmo 139:13-16).
Deus não faz pouco caso da vida de um embrião ou feto no ventre de uma mãe. O profeta Jeremias escutou do Senhor: “Antes que te formasse no ventre, eu te conheci; e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta” (Jeremias 11:5). O apóstolo Paulo também testifica que já no ventre de sua mãe ele era separado por Deus (Gálatas 1:15).
A ética cristã e o aborto
Diferentemente de outras alternativas éticas, a ética cristã é fundamentada na Palavra Deus. Então isto significa que em nenhuma hipótese a ética cristã irá aprovar o aborto.
As Escrituras não enxergam o homem como mais uma espécie resultado de um processo de evolução. Elas dizem que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus.
Portanto, além de o aborto ser classificado como um assassinato, é também um atentado contra a imagem do próprio Deus representada naquele embrião ou feto. Claro que quando a ética cristã se opõe ao aborto, ela não ignora o fato de existirem casos extremamente complexos.
Enquanto há mulheres que simplesmente abortam por concluírem que no momento há coisas mais interessantes a se fazer do que ser mãe, há outras que enfrentam dramas realmente difíceis. Existem mães que enfrentam casos de gravidez de alto risco. Outras carregam um feto desenganado pela medicina. Por fim, há aquelas que foram vitimas de relações abusivas, como o estupro.
Por mais que sejam situações complicadas, a ética cristã, conforme a Palavra de Deus, sempre defenderá a vida. Por exemplo, se a ética cristã aceitasse o aborto em casos de deficiência do feto, ela fatalmente deixaria de ser cristã. No fim ela se harmonizaria a outras formas éticas contrárias a Deus, como a ética naturalística que defende a eliminação dos mais fracos.
Para concluir, a gravidade de um aborto pode ser vista na própria realidade da vida de Cristo. A vida de um embrião ou feto é tão valiosa para Deus que seu próprio Filho passou por esse estágio de desenvolvimento em sua encarnação.
O Filho de Deus não encarnou diretamente em estado adulto, mas foi concebido por obra do Espírito Santo, e tal como qualquer um de nós, se desenvolveu no ventre de Maria de Nazaré.
Fontes: (Mega Curioso; Unsplash; Estilo Adoração)
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Toni Campos
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